sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Escola Virtual da Amazônia


Nome da Escola: Escola de Samba Virtual da Amazônia
Fundação: 20 de fevereiro de 2010
Cidade-Sede: Belém/PA
Cores: Verde, Vermelho e Branco
Símbolos: Guaraná
Presidente: Naiara Duarte
Carnavalesco e Autor de Enredo: Rafael Gonçalves
Intérprete: Thiago do Porto
Diretora de Carnaval: Sara Ferreira
Enredo: O mito do guaraná na tradição Saterê-Mawé
Em 2010, a Escola Virtual da Amazônia busca na tradição do povo Saterê-Mawé a inspiração para o seu carnaval. Contaremos a história da origem do guaraná descrita pela literatura oral Mawé e pelo Sehaypóri, uma coleção dos mitos e lendas originários do povo, também gravados no Puratig, o remo sagrado.
Conta a tradição que havia bichos, Espíritos e Encantados povoando a terra e entre eles três irmãos semi-humanos. Anhyã-muasawê era uma jovem solteira, conhecedora dos segredos das plantas medicinais e dona do Nusokén, a região sagrada onde cresciam as melhores espécies vegetais, como a castanheira. Os seus dois irmãos eram Yakumã e Ukumã’wató
A beleza de Anhyã-muasawê despertava o interesse de todos os animais, o que era motivo de ciúmes de seus dois irmãos. Certo dia uma cobrinha macho, encantada pela bela jovem espalhou um perfume pela mata atraindo-a. Então, Anhyã-muasawê foi tocada na ponta do pé pela cobrinha-macho, o que foi o suficiente para que ela engravidasse. Os irmãos da moça ficaram furiosos por ela ter saído sozinha pela mata, despedaçaram a cobrinha e expulsaram a moça de seu paraíso, proibindo-a de lá voltar.
Kahu’ê, o filho de Anhyã-muasawê , cresceu e se tornou um kurumim forte e bonito. O menino desejava comer as castanhas do Nusokén e as frutas que os seus tios comiam. Entretanto, os dois colocaram a Cotia e a Paca para tomar conta do local. O menino insistiu tanto que a mãe resolveu levá-lo para comer a castanha, porém foram descobertos pela cotia que viu os ouriços partidos e o resto da fogueira que Anhyã-muasawê e o filho deixaram. A Cotia correu, então, para contar aos irmãos da moça que ela havia voltado ao Nusoké, eles mandara-na vigiar a castanheira e matar quem se aproximasse dela.
Depois de provar do fruto da castanheira, o kurumim sentiu mais desejo de comer a castanha e voltou ao local subindo na árvore. Os vigias do Nusokén armaram uma armadilha para matá-lo colocando uma corda no toco da árvore. Quando o menino desceu, eles jogaram a corda no seu pescoço e ele teve a cabeça decepada.
Anhyã-muasawê sentiu falta do filho e resolveu procurá-lo; ouvindo seus gritos pelo caminho, a mãe se desesperou, porém quando o encontrou ele já fora degolado. Embora chorando e gritando sobre o corpo do filho, Anhyã-muasawê soube que a morte do seu kurumim se tornaria em uma benção e que os seus irmãos não iriam acabar com a sua existência.
Assim, ela tomou o corpo do filho nos braços e voou para as proximidades do rio Maráw. Arrancou o olho esquerdo do menino e plantou em terras amarelas, onde nasceu uma planta que não prestava: o Waraná-Hôp, o falso guaraná. Contudo, quando ela plantou o olho direito em terras pretas nasceu o Waraná-Sése, o verdadeiro guaraná.
O corpo do menino também foi enterrado num ritual de magia celebrado por sua mãe. Vários animais nasceram da sua sepultura e a cada um foi dado um nome e designados os afazeres, até que, passados alguns dias, dali saiu uma criança, o primeiro Mawé. É por isso que os Saterê-Mawé são os filhos do guaraná.

Fontes Bibliográficas

Satere.com - Maués ao alcance do Mundo. http://www.satere.com (acesso em 25 de Janeiro de 2010).
Yamã, Yaguarê. Sehaypori: o livro sagrado do povo Saterê-Mawé. São Paulo: Petrópolis, 2007.